“Os itaqueritas se juntaram em caravanas, e tomaram o rumo da praça, conforme o costume. De quatro em quatro anos, escolhiam eles entre três para ocupar o trono: um homem com um manto de penas, um homem com o manto de Orestes e um poste consagrado por Inácio. Naquela ocasião, os três eram: Geraldo, o Médico; Skaf, mercador de Tiro; e um pilar a quem os zelotes chamavam ‘Padilha’. Cinco meses haviam se passado desde que o anjo do Senhor visitara a Geraldo, que então reinava, e anunciara a praga da seca. Os rios naquele ponto já eram rugas de barro. Os poços estavam cheios de areia. O calor e a sede enlouqueciam até os sábios. Nos campos, o povo tomava de paus e pedras para clamar por água, e os soldados tinham de escoltar uns poucos tanques para que os pobres não os derramassem. As mulheres e as crianças se banhavam com óleos e perfumes. A carne dos homens apodrecia ao sol do meio-dia, e nem unguentos aplacavam o olor de morte. Até as carroças jaziam cobertas por imundícias – o que era vedado entre os itaqueritas. Pois assim naquela data, um juiz entre eles se ergueu, e perguntou assim ao povo reunido na praça: ‘Diante de vós estão três para o trono. Escolhei um deles’. Primeiro colocaram no palco o poste a quem chamavam ‘Padilha’. Ninguém nada ouviu, e o povo nada disse. Depois, subiu Skaf, mercador de Tiro. ‘Geraldo pecou, e a mácula de seu pecado fez de nossos bosques, desertos; de nossas cachoeiras, pedreiras; e de nossas lágrimas, gritos aos céus. De tudo sabia o Médico, e de nada nos comunicou de certo e justo: antes, mentiu, e nos transformou a todos em doentes’, gritou Skaf. Alguns poucos assentiram. Daí veio Geraldo de Pinda, e assim ele falou: ‘Quem investe contra minha casa investe contra todos vós. Confiai: apesar da provação, a água não findará. Somos eu e vós como filhos de Jó, testados em nossa fibra. Perseverai. Meu manto é o dos patriarcas; meu cajado racha a dúvida e triunfa sobre o mal’. O povo aclamou o Médico, e o juiz lhe ofereceu o trono mais uma vez. Sete dias correram, e a água pouca que ainda havia desapareceu das casas, das fontes e dos mercados. Berrou então um profeta: ‘Na divisa do norte, água nova brotou, disso me inteirou um anjo’. E para lá correram os sacerdotes, arrastando com eles um cortesão de Geraldo, a quem diziam entendedor de córregos e cascatas. Ao chegarem, encontraram ali um leito de pedra, seco como o Deserto de Sim. Os sacerdotes se prostraram, e, entre gritos, cobriram as cabeças com a poeira do chão. Seus apelos eram como lamentos, cortando o fim da tarde. Os itaqueritas dormiram sem chuva.”

“Os itaqueritas se juntaram em caravanas, e tomaram o rumo da praça, conforme o costume. De quatro em quatro anos, escolhiam eles entre três para ocupar o trono: um homem com um manto de penas, um homem com o manto de Orestes e um poste consagrado por Inácio. Naquela ocasião, os três eram: Geraldo, o Médico; Skaf, mercador de Tiro; e um pilar a quem os zelotes chamavam ‘Padilha’. Cinco meses haviam se passado desde que o anjo do Senhor visitara a Geraldo, que então reinava, e anunciara a praga da seca. Os rios naquele ponto já eram rugas de barro. Os poços estavam cheios de areia. O calor e a sede enlouqueciam até os sábios. Nos campos, o povo tomava de paus e pedras para clamar por água, e os soldados tinham de escoltar uns poucos tanques para que os pobres não os derramassem. As mulheres e as crianças se banhavam com óleos e perfumes. A carne dos homens apodrecia ao sol do meio-dia, e nem unguentos aplacavam o olor de morte. Até as carroças jaziam cobertas por imundícias – o que era vedado entre os itaqueritas. Pois assim naquela data, um juiz entre eles se ergueu, e perguntou assim ao povo reunido na praça: ‘Diante de vós estão três para o trono. Escolhei um deles’. Primeiro colocaram no palco o poste a quem chamavam ‘Padilha’. Ninguém nada ouviu, e o povo nada disse. Depois, subiu Skaf, mercador de Tiro. ‘Geraldo pecou, e a mácula de seu pecado fez de nossos bosques, desertos; de nossas cachoeiras, pedreiras; e de nossas lágrimas, gritos aos céus. De tudo sabia o Médico, e de nada nos comunicou de certo e justo: antes, mentiu, e nos transformou a todos em doentes’, gritou Skaf. Alguns poucos assentiram. Daí veio Geraldo de Pinda, e assim ele falou: ‘Quem investe contra minha casa investe contra todos vós. Confiai: apesar da provação, a água não findará. Somos eu e vós como filhos de Jó, testados em nossa fibra. Perseverai. Meu manto é o dos patriarcas; meu cajado racha a dúvida e triunfa sobre o mal’. O povo aclamou o Médico, e o juiz lhe ofereceu o trono mais uma vez. Sete dias correram, e a água pouca que ainda havia desapareceu das casas, das fontes e dos mercados. Berrou então um profeta: ‘Na divisa do norte, água nova brotou, disso me inteirou um anjo’. E para lá correram os sacerdotes, arrastando com eles um cortesão de Geraldo, a quem diziam entendedor de córregos e cascatas. Ao chegarem, encontraram ali um leito de pedra, seco como o Deserto de Sim. Os sacerdotes se prostraram, e, entre gritos, cobriram as cabeças com a poeira do chão. Seus apelos eram como lamentos, cortando o fim da tarde. Os itaqueritas dormiram sem chuva.”

“No décimo mês, querelaram pelo trono dois vindos das montanhas: Aécio, que dormia entre os ipanemitas, e Dilma, que caminhava entre os bovineus. Quando se encontravam, era como se a faísca voasse de uma pedra. ‘Tu vens para entesourar os fariseus’, dizia Dilma. ‘E tu mentes como a mais vil das amalequitas’, dizia Aécio. ‘Tu ignoras os doentes’, dizia Dilma. ‘E tu és leviana como a pulga na asa do mais torpe abutre’, dizia Aécio. ‘Tu pretendes tirar do pobre o pão’, dizia Dilma. ‘E tu repartes o ouro da terra de Israel com os salteadores’, dizia Aécio. ‘Tu colocaste tua mãe e tua irmã em tronos adornados com a imagem do Baal imundo’, dizia Dilma. ‘E tu mandaste empregar teu irmão para que dormisse ele entre finas almofadas’, dizia Aécio. ‘Os teus roubam desde os tempos de Esaú’, dizia Dilma. ‘E os teus fariam corar Nabucodonosor: saqueiam até a poeira do Templo’, dizia Aécio. ‘Tu te embriagas de bebida forte, circulas em bigas, e forças o braço para apanhar donzelas’, dizia Dilma. ‘E tu és a sombra da sombra da sombra de um grande rei ausente: és um fantasma que caminha e fala’, dizia Aécio. ‘Tu queres fazer voltar o tempo para demolir a obra dos bons’, dizia Dilma. ‘E as tuas palavras vêm das bocas de outros homens e mulheres cem vezes dez vezes melhores do que tu’, dizia Aécio. ‘Eu não saí das montanhas para cair em dissoluções e borrachices entre os ipanemitas’, dizia Dilma. ‘E eu não conquistei o mando para dispensar impropérios contra criados e vizires, calados e contritos por dever’, dizia Aécio. ‘Tu tens o nariz metido nas estrelas’, dizia Dilma. ‘E tu desmaias por não suportares a verdade’, dizia Aécio. O povo na praça ouvia. Quem seguia Dilma, por mando de Inácio, exultava. Quem seguia Aécio, sob o manto de Efeagas, regozijava-se. Ao longe, os príncipes viam tudo de uma tenda. Lá se reclinavam, e provavam das tâmaras trazidas pelos construtores de aquedutos, pontes e palácios. De quinze em quinze minutos, voltavam-se ao Monte Sião, e rezavam a oração ancestral: ‘Provede Mais aos Destituídos de Bênçãos’. No ‘Amém’, todos sorriam. Ora Sarney, ora Abirrenan, ora Ben Jucá, ora El-Cunha, um deles em seguida se erguia, e entoava a fórmula: ‘Pela Glória do Altíssimo, Aquele que reina sobre o Centro, jamais cairemos na estrada. Passe o que passar, corra o que correr, triunfe quem triunfar’. E todos entoavam, conforme o costume: ‘Selá’.”

“No décimo mês, querelaram pelo trono dois vindos das montanhas: Aécio, que dormia entre os ipanemitas, e Dilma, que caminhava entre os bovineus. Quando se encontravam, era como se a faísca voasse de uma pedra. ‘Tu vens para entesourar os fariseus’, dizia Dilma. ‘E tu mentes como a mais vil das amalequitas’, dizia Aécio. ‘Tu ignoras os doentes’, dizia Dilma. ‘E tu és leviana como a pulga na asa do mais torpe abutre’, dizia Aécio. ‘Tu pretendes tirar do pobre o pão’, dizia Dilma. ‘E tu repartes o ouro da terra de Israel com os salteadores’, dizia Aécio. ‘Tu colocaste tua mãe e tua irmã em tronos adornados com a imagem do Baal imundo’, dizia Dilma. ‘E tu mandaste empregar teu irmão para que dormisse ele entre finas almofadas’, dizia Aécio. ‘Os teus roubam desde os tempos de Esaú’, dizia Dilma. ‘E os teus fariam corar Nabucodonosor: saqueiam até a poeira do Templo’, dizia Aécio. ‘Tu te embriagas de bebida forte, circulas em bigas, e forças o braço para apanhar donzelas’, dizia Dilma. ‘E tu és a sombra da sombra da sombra de um grande rei ausente: és um fantasma que caminha e fala’, dizia Aécio. ‘Tu queres fazer voltar o tempo para demolir a obra dos bons’, dizia Dilma. ‘E as tuas palavras vêm das bocas de outros homens e mulheres cem vezes dez vezes melhores do que tu’, dizia Aécio. ‘Eu não saí das montanhas para cair em dissoluções e borrachices entre os ipanemitas’, dizia Dilma. ‘E eu não conquistei o mando para dispensar impropérios contra criados e vizires, calados e contritos por dever’, dizia Aécio. ‘Tu tens o nariz metido nas estrelas’, dizia Dilma. ‘E tu desmaias por não suportares a verdade’, dizia Aécio. O povo na praça ouvia. Quem seguia Dilma, por mando de Inácio, exultava. Quem seguia Aécio, sob o manto de Efeagas, regozijava-se. Ao longe, os príncipes viam tudo de uma tenda. Lá se reclinavam, e provavam das tâmaras trazidas pelos construtores de aquedutos, pontes e palácios. De quinze em quinze minutos, voltavam-se ao Monte Sião, e rezavam a oração ancestral: ‘Provede Mais aos Destituídos de Bênçãos’. No ‘Amém’, todos sorriam. Ora Sarney, ora Abirrenan, ora Ben Jucá, ora El-Cunha, um deles em seguida se erguia, e entoava a fórmula: ‘Pela Glória do Altíssimo, Aquele que reina sobre o Centro, jamais cairemos na estrada. Passe o que passar, corra o que correr, triunfe quem triunfar’. E todos entoavam, conforme o costume: ‘Selá’.”

““E chegaram então a Frota, guardador das muralhas de Manassés: ‘Frota, replicamos nós a tu, que tanto perguntas: “Qual é o negócio?”’. Corriam os dias da contenda pelo trono. Respondeu o gigante: ‘Aécio assombra os devotos de Inácio. E eu vos digo: a verdade está ali. Basta de mantos vermelhos. Os homens com mantos de penas engolirão um mingau coalhado de estrelas’. Os filhos de Israel se espantaram com o oráculo, por não o apreenderem. Vendo aquilo, Frota sacou da túnica um pergaminho, e nesse pergaminho estavam inscritos os nomes dos quarenta e cinco portões do Reino, segundo a tradição de Efeagas. Aos olhos de todos, mastigou Frota o pergaminho.”

“E chegaram então a Frota, guardador das muralhas de Manassés: ‘Frota, replicamos nós a tu, que tanto perguntas: “Qual é o negócio?”’. Corriam os dias da contenda pelo trono. Respondeu o gigante: ‘Aécio assombra os devotos de Inácio. E eu vos digo: a verdade está ali. Basta de mantos vermelhos. Os homens com mantos de penas engolirão um mingau coalhado de estrelas’. Os filhos de Israel se espantaram com o oráculo, por não o apreenderem. Vendo aquilo, Frota sacou da túnica um pergaminho, e nesse pergaminho estavam inscritos os nomes dos quarenta e cinco portões do Reino, segundo a tradição de Efeagas. Aos olhos de todos, mastigou Frota o pergaminho.”

“Os seguidores de Marina, profetisa de Acre, andavam há sete dias no deserto, sob o jugo do tormento, da aflição e da aperto. Um dia, ordenou Marina que eles se aproximassem, de modo a avistarem o abismo na borda do areal. E disse ela: ‘Meus apóstolos, lutai e vencei. Crede, pois hoje vos mostrarei portentos. Relâmpagos descerão em caracol. Eclipses cobrirão o sol. As águas do mar secarão diante de vossos olhos. E eu mesma pescarei uma baleia com anzol’.”

“Os seguidores de Marina, profetisa de Acre, andavam há sete dias no deserto, sob o jugo do tormento, da aflição e da aperto. Um dia, ordenou Marina que eles se aproximassem, de modo a avistarem o abismo na borda do areal. E disse ela: ‘Meus apóstolos, lutai e vencei. Crede, pois hoje vos mostrarei portentos. Relâmpagos descerão em caracol. Eclipses cobrirão o sol. As águas do mar secarão diante de vossos olhos. E eu mesma pescarei uma baleia com anzol’.”

“Ia Aparecido, a quem diziam Gian, pela praça quando um homem do povo lhe abordou: ‘Gian, filho da lira, eis que há na parede do mercado uma mensagem contra tu e contra a tua casa’. Atiçado, seguiu ele até a tal parede, e lá encontrou: ‘Sabei vós que a casa da Gian está corroída. Pois a mulher de Gian dançou na corte de Herodes. Assim diz Mirosmar, profeta, filho de Francisco’. Ao ler o nome do profeta, com quem até então repartia o pão, Gian sentiu desfalecer. Quando já caía, alguém fez observar o resto: ‘Gian adulterou’. Ficou então Gian no chão, diante de todos no mercado.”

“Ia Aparecido, a quem diziam Gian, pela praça quando um homem do povo lhe abordou: ‘Gian, filho da lira, eis que há na parede do mercado uma mensagem contra tu e contra a tua casa’. Atiçado, seguiu ele até a tal parede, e lá encontrou: ‘Sabei vós que a casa da Gian está corroída. Pois a mulher de Gian dançou na corte de Herodes. Assim diz Mirosmar, profeta, filho de Francisco’. Ao ler o nome do profeta, com quem até então repartia o pão, Gian sentiu desfalecer. Quando já caía, alguém fez observar o resto: ‘Gian adulterou’. Ficou então Gian no chão, diante de todos no mercado.”

“Marina desceu de Acre, e seguiu em caravana à cidade de Roriz, flor do deserto. Montou acampamento junto aos príncipes, e mandou pendurar um estandarte vermelho sobre a entrada de sua tenda. Por anos, viveu ela ali, a falar em nome dos que habitavam os bosques. Um dia, quando ainda reinava Inácio, saiu Marina à praça com uma túnica, e rasgou o estandarte vermelho diante dos olhos dos homens. Foi então Marina a buscar o trono ela mesma. Com ela, caminhavam apóstolos a anunciar: ‘É como Débora, e fala-nos o que só imaginávamos em sonhos’. Na primeira vez, a profetisa se levantou contra Dilma, herdeira de Inácio, e um homem com nome de montanha, derrubado por um pedaço de papiro. Marina nada conseguiu. Na segunda vez, aliou-se a um príncipe do norte, mas o príncipe morreu na estrada. Ergueu-se daí sozinha contra Dilma, que já reinava, e Aécio, de nobre casa, que buscava nas ruas com quem conversar. Os zelotes diziam que Marina andava com os fariseus, enquanto os fariseus diziam que Marina andava com os zelotes. No turbilhão, seus apóstolos só cresciam em número. ‘Não vamos desistir de Israel’, prometeu. ‘Dá-nos uma lei, escreve-nos uma tábua’, clamaram seus seguidores. Passaram-se quarenta dias, e a tábua veio. ‘É lícito o enlace entre varão e varão, assim como entre donzela e donzela’, podia-se ler num trecho. O grito dos sacerdotes subiu aos céus, e Marina a eles se dirigiu: ‘Disso nada sei. É tudo culpa do escriba’.”

“Marina desceu de Acre, e seguiu em caravana à cidade de Roriz, flor do deserto. Montou acampamento junto aos príncipes, e mandou pendurar um estandarte vermelho sobre a entrada de sua tenda. Por anos, viveu ela ali, a falar em nome dos que habitavam os bosques. Um dia, quando ainda reinava Inácio, saiu Marina à praça com uma túnica, e rasgou o estandarte vermelho diante dos olhos dos homens. Foi então Marina a buscar o trono ela mesma. Com ela, caminhavam apóstolos a anunciar: ‘É como Débora, e fala-nos o que só imaginávamos em sonhos’. Na primeira vez, a profetisa se levantou contra Dilma, herdeira de Inácio, e um homem com nome de montanha, derrubado por um pedaço de papiro. Marina nada conseguiu. Na segunda vez, aliou-se a um príncipe do norte, mas o príncipe morreu na estrada. Ergueu-se daí sozinha contra Dilma, que já reinava, e Aécio, de nobre casa, que buscava nas ruas com quem conversar. Os zelotes diziam que Marina andava com os fariseus, enquanto os fariseus diziam que Marina andava com os zelotes. No turbilhão, seus apóstolos só cresciam em número. ‘Não vamos desistir de Israel’, prometeu. ‘Dá-nos uma lei, escreve-nos uma tábua’, clamaram seus seguidores. Passaram-se quarenta dias, e a tábua veio. ‘É lícito o enlace entre varão e varão, assim como entre donzela e donzela’, podia-se ler num trecho. O grito dos sacerdotes subiu aos céus, e Marina a eles se dirigiu: ‘Disso nada sei. É tudo culpa do escriba’.”

"Lamentações de Aécio entre os ipanemitas:
Como me legou o Senhor a vagar entre as bestas do deserto! Fez rebentar a fibra de minha esperança, e não se lembrou dos sacrifícios de minha casa. Rondo hoje as cidades a procurar ouvidos, como um pedinte. Meu manto de penas jaz desfiado, legado ao monturo do acampamento. Meus inimigos a mim reservam o escárnio, e meus amigos perderam a memória. Se no mercado subo a um caixote, tomam-me por verdureiro. Logo eu, que reinava sobre os lavradores, os escribas e os mercadores das montanhas, mesmo sem nunca sair do areal dos ipanemitas! Senhor, vamos conversar. Faz ir embora a nuvem de verde e vermelho. Restaura o tempo em que a glória pousava sobre os campos de minha família.”

"Lamentações de Aécio entre os ipanemitas:

Como me legou o Senhor a vagar entre as bestas do deserto! Fez rebentar a fibra de minha esperança, e não se lembrou dos sacrifícios de minha casa. Rondo hoje as cidades a procurar ouvidos, como um pedinte. Meu manto de penas jaz desfiado, legado ao monturo do acampamento. Meus inimigos a mim reservam o escárnio, e meus amigos perderam a memória. Se no mercado subo a um caixote, tomam-me por verdureiro. Logo eu, que reinava sobre os lavradores, os escribas e os mercadores das montanhas, mesmo sem nunca sair do areal dos ipanemitas! Senhor, vamos conversar. Faz ir embora a nuvem de verde e vermelho. Restaura o tempo em que a glória pousava sobre os campos de minha família.”

"Edir pastoreava no Vale de Recó quando lhe sobreveio uma visão: para além do arroio, havia uma cabana feita de capim seco, espelho para o sol. O pastor coçou os olhos, testou se seguia firme sobre os pés, e seguiu vendo. À segunda olhada, a cabana lá persistia, mas agora cercada por um bando de feras bravias, em repouso como dóceis carneirinhos. Ali deitava o lobo e também o urso, a cobra e ainda a hiena, o jaguar e enfim o publicitário. Edir caminhou rumo ao arroio. Na sua face, raiava o ouro do capim seco. Mais perto, mais ele enxergou. As feras dormiam sobre um tapete de escorpiões. Uma coroa, armada a um gancho, dominava a entrada da cabana. De dentro dela, vinha o calor de um fogo frio. Edir tentou olhar para a fonte daquele calor, e caiu arrebatado. Acordou sobre um leito de pedras, na mesma beira de arroio. Não havia mais cabana alguma. Então voltou Edir à companhia dos pastores, que não o distinguiram, e perguntaram: ‘Quem é este ancião?’. Crescera à noite em Edir uma barba de Aarão, tomada de cãs e descida até a orla de suas vestes. E disse ele: ‘O Senhor nos comanda a erguer um templo como o de Salomão’. Reconheceram aí os outros pastores a Edir, e fizeram por bem chamar os fieis, e mandaram trazer pedras de Hebron, leito dos patriarcas. Em quatro anos, construíram eles o templo na praça de Al-Brás, bem nas várzeas dos itaqueritas. Tinha o templo dois mil e dezoito côvados de comprimento, dois mil trezentos e vinte côvados de largura, mil duzentos e trinta côvados de altura, e nenhuma janela. Ao verem aquilo pronto, assombraram-se os grandes e os pequenos, os pedintes e os príncipes, os israelitas e os gentios."

"Edir pastoreava no Vale de Recó quando lhe sobreveio uma visão: para além do arroio, havia uma cabana feita de capim seco, espelho para o sol. O pastor coçou os olhos, testou se seguia firme sobre os pés, e seguiu vendo. À segunda olhada, a cabana lá persistia, mas agora cercada por um bando de feras bravias, em repouso como dóceis carneirinhos. Ali deitava o lobo e também o urso, a cobra e ainda a hiena, o jaguar e enfim o publicitário. Edir caminhou rumo ao arroio. Na sua face, raiava o ouro do capim seco. Mais perto, mais ele enxergou. As feras dormiam sobre um tapete de escorpiões. Uma coroa, armada a um gancho, dominava a entrada da cabana. De dentro dela, vinha o calor de um fogo frio. Edir tentou olhar para a fonte daquele calor, e caiu arrebatado. Acordou sobre um leito de pedras, na mesma beira de arroio. Não havia mais cabana alguma. Então voltou Edir à companhia dos pastores, que não o distinguiram, e perguntaram: ‘Quem é este ancião?’. Crescera à noite em Edir uma barba de Aarão, tomada de cãs e descida até a orla de suas vestes. E disse ele: ‘O Senhor nos comanda a erguer um templo como o de Salomão’. Reconheceram aí os outros pastores a Edir, e fizeram por bem chamar os fieis, e mandaram trazer pedras de Hebron, leito dos patriarcas. Em quatro anos, construíram eles o templo na praça de Al-Brás, bem nas várzeas dos itaqueritas. Tinha o templo dois mil e dezoito côvados de comprimento, dois mil trezentos e vinte côvados de largura, mil duzentos e trinta côvados de altura, e nenhuma janela. Ao verem aquilo pronto, assombraram-se os grandes e os pequenos, os pedintes e os príncipes, os israelitas e os gentios."

"Os tropiqueus então jaziam na estrada, enfastiados como cortesões da Babilônia. Por três semanas, entregaram-se eles aos prazeres havelangitas, em orgias adornadas pela imagem de uma besta-fera chamada Fuleque. O Senhor de Israel viu tudo, e se arrependeu de ter eleito os tropiqueus para realizar portentos nos campos consagrados. E disse o Senhor: ‘Dos grandes aos pequenos, dos joiados aos remediados, varrerei da terra os truques e os artifícios pelo quais ficaram conhecidos os tropiqueus em seus jogos’. Desceram naquele dia sobre os tropiqueus sete pragas do norte, pelos pés e pelas mãos de bárbaros do norte. No templo das montanhas, restaram apenas cinzas e ruínas onde antes havia júbilo. Nas praças de Israel, assim diziam os profetas: ‘Corrompemos a geração. Tombamos dos degraus. Somos por ora a sombra da sombra de um filho pródigo. Arrependei, purgai, arrojai poeira sobre vossas cabeças’. Sete dias e sete noites se passaram. Entre as cinzas do templo da montanhas, levantou-se José, filho de Maria e de Marim, a quem juravam morto há oitenta anos. E o ancião anunciou: ‘Ainda vivo. E anuncio que Dunguiel, general bovineu, comandará nossos homens, mesmo tendo perdido sua última batalha’. Na manhã seguinte, cruzes ergueram-se nos montes de Jerusalém. A cada doze delas, lia-se uma mensagem: ‘Aqui dormirão os escribas’."

"Os tropiqueus então jaziam na estrada, enfastiados como cortesões da Babilônia. Por três semanas, entregaram-se eles aos prazeres havelangitas, em orgias adornadas pela imagem de uma besta-fera chamada Fuleque. O Senhor de Israel viu tudo, e se arrependeu de ter eleito os tropiqueus para realizar portentos nos campos consagrados. E disse o Senhor: ‘Dos grandes aos pequenos, dos joiados aos remediados, varrerei da terra os truques e os artifícios pelo quais ficaram conhecidos os tropiqueus em seus jogos’. Desceram naquele dia sobre os tropiqueus sete pragas do norte, pelos pés e pelas mãos de bárbaros do norte. No templo das montanhas, restaram apenas cinzas e ruínas onde antes havia júbilo. Nas praças de Israel, assim diziam os profetas: ‘Corrompemos a geração. Tombamos dos degraus. Somos por ora a sombra da sombra de um filho pródigo. Arrependei, purgai, arrojai poeira sobre vossas cabeças’. Sete dias e sete noites se passaram. Entre as cinzas do templo da montanhas, levantou-se José, filho de Maria e de Marim, a quem juravam morto há oitenta anos. E o ancião anunciou: ‘Ainda vivo. E anuncio que Dunguiel, general bovineu, comandará nossos homens, mesmo tendo perdido sua última batalha’. Na manhã seguinte, cruzes ergueram-se nos montes de Jerusalém. A cada doze delas, lia-se uma mensagem: ‘Aqui dormirão os escribas’."

“Os israelitas se juravam grandes naqueles dias. ‘Tremem as nações diante da visão de nosso manto tecido em ouro’, diziam os soberbos entre eles. Mas, nas batalhas, então, a vitória lhes sobrevinha não por dádiva, mas por astúcia. Apesar das provações, seus generais não diziam graças: antes profetizavam outras glórias aos escribas. Eram esses generais dois: Luiz Felipe, bovineu, e Carlos, ipanemita que provara do fruto da parreira e certa tarde anunciara: ‘Nossas mãos já tocam o cálice do Senhor’. No oitavo do sétimo mês, faltaram os israelitas Neemar, filho de Neemar, e Tiago, o irmão do pranto. Mesmo assim, abriram eles as portas do templo da montanha para exibir sua glória a estrangeiros vindos do norte, bárbaros na origem e justos no proceder. Naquele dia, os israelitas choraram. Viram das mãos e dos pés dos gentios saírem milagres: nem um, nem dois, mas em número de sete, até quando os gentios descansaram, por piedade. Luiz Felipe, bovineu, ergueu os olhos aos céus, e clamou: ‘Senhor, por que rejeitas a nossa oferta? Por que nos atiras ao Vale da Pane?’. E os céus se fecharam, e houve breu.”

“Os israelitas se juravam grandes naqueles dias. ‘Tremem as nações diante da visão de nosso manto tecido em ouro’, diziam os soberbos entre eles. Mas, nas batalhas, então, a vitória lhes sobrevinha não por dádiva, mas por astúcia. Apesar das provações, seus generais não diziam graças: antes profetizavam outras glórias aos escribas. Eram esses generais dois: Luiz Felipe, bovineu, e Carlos, ipanemita que provara do fruto da parreira e certa tarde anunciara: ‘Nossas mãos já tocam o cálice do Senhor’. No oitavo do sétimo mês, faltaram os israelitas Neemar, filho de Neemar, e Tiago, o irmão do pranto. Mesmo assim, abriram eles as portas do templo da montanha para exibir sua glória a estrangeiros vindos do norte, bárbaros na origem e justos no proceder. Naquele dia, os israelitas choraram. Viram das mãos e dos pés dos gentios saírem milagres: nem um, nem dois, mas em número de sete, até quando os gentios descansaram, por piedade. Luiz Felipe, bovineu, ergueu os olhos aos céus, e clamou: ‘Senhor, por que rejeitas a nossa oferta? Por que nos atiras ao Vale da Pane?’. E os céus se fecharam, e houve breu.”

"Subiu Dilma ao templo dos itaqueritas num dia de festa. Os zelotes entre os fiéis perceberam, e enunciaram uma praga: ‘Que visite Sodoma e que Sodoma a visite’. Os conselheiros da rainha viram no grito dos zelotes uma ofensa, e assim se queixaram: ‘As feras criadas pelos mercadores gritam por carne’. Inácio, rei antigo, viu tudo de sua janela. E então disse Inácio: ‘Buscai as mãos desses homens. Nelas, não encontrareis calos, nem traços de enxada’. E os zelotes enunciaram ainda mais pragas."

"Subiu Dilma ao templo dos itaqueritas num dia de festa. Os zelotes entre os fiéis perceberam, e enunciaram uma praga: ‘Que visite Sodoma e que Sodoma a visite’. Os conselheiros da rainha viram no grito dos zelotes uma ofensa, e assim se queixaram: ‘As feras criadas pelos mercadores gritam por carne’. Inácio, rei antigo, viu tudo de sua janela. E então disse Inácio: ‘Buscai as mãos desses homens. Nelas, não encontrareis calos, nem traços de enxada’. E os zelotes enunciaram ainda mais pragas."

“O sacerdote Sanchiel tomou a frente, e disse aos coríntios entre os itaqueritas: ‘O amor é uma obra inacabada, sempre em construção. A boa vontade do justo se cimenta na paciência, e a tranca para os Céus nunca se abre com presteza. Setenta e sete anos de sangue correram, e eis aqui o nosso templo, reluzente em mármore branco’. Os coríntios entre os itaqueritas saudaram Sanchiel. Os mercadores havelangitas acharam bom. Sanchiel continuou: ‘Para que testemunhem nossa glória, mandamos vir do sul os manueis da ilha, tropiqueus como nós’. Os manueis pisaram então o pátio consagrado. Trajavam eles vestes rústicas e oravam em língua estrangeira, enquanto sacudiam folhas da figueira. Naquela hora, abalou-se sobre o templo uma tormenta. Os coríntios entre os itaqueritas procuraram abrigo, e viram que abrigo não havia, pois o templo, como o amor anunciado por Sanchiel, seguia inacabado. Os manueis perseveraram na oração, para espanto dos homens da terra, e realizaram, ao fim daquele dia, portentos. De geração em geração, a partir de então, os vizinhos dos coríntios fizeram lembrar: ‘No primeiro dia, os coríntios foram estrangeiros em sua própria casa’.”

“O sacerdote Sanchiel tomou a frente, e disse aos coríntios entre os itaqueritas: ‘O amor é uma obra inacabada, sempre em construção. A boa vontade do justo se cimenta na paciência, e a tranca para os Céus nunca se abre com presteza. Setenta e sete anos de sangue correram, e eis aqui o nosso templo, reluzente em mármore branco’. Os coríntios entre os itaqueritas saudaram Sanchiel. Os mercadores havelangitas acharam bom. Sanchiel continuou: ‘Para que testemunhem nossa glória, mandamos vir do sul os manueis da ilha, tropiqueus como nós’. Os manueis pisaram então o pátio consagrado. Trajavam eles vestes rústicas e oravam em língua estrangeira, enquanto sacudiam folhas da figueira. Naquela hora, abalou-se sobre o templo uma tormenta. Os coríntios entre os itaqueritas procuraram abrigo, e viram que abrigo não havia, pois o templo, como o amor anunciado por Sanchiel, seguia inacabado. Os manueis perseveraram na oração, para espanto dos homens da terra, e realizaram, ao fim daquele dia, portentos. De geração em geração, a partir de então, os vizinhos dos coríntios fizeram lembrar: ‘No primeiro dia, os coríntios foram estrangeiros em sua própria casa’.”

"O anjo do Senhor encontrou Geraldo, o Médico, às portas do palácio, e disse: ‘Filho do homem, a tu, que vestes o manto de penas para reinar sobre os itaqueritas, participo-te em nome do Senhor: Cairá sobre os teus domínios uma praga nunca percebida desde o tempo dos faraós do Egito, e será essa praga a da seca’. Então respondeu o Médico: ‘Sou um rei penitente. Oro sobre a pedra. Amasso o barro. Mortifico a carne. E a justiça ao justo?’. O anjo retrucou: ‘Filho do homem, por agora, a paga dos teus será a água morta. Com essa água amarga derramarão os vasos e banhar-se-ão os teus’. Sete semanas se passaram, e a seca veio. Geraldo assim falou ao povo: ‘Os céus testam nosso reino e nossa casa milenar. Os açudes, eles mesmos, têm sede. Ipanemitas e tijuqueus viraram-nos as costas. As aldeias e as cidades sofrem, mas a culpa é de ninguém. Pela fé, extraí do fundo um maná em goles, uma água limpa, viva, digna dos príncipes da Pérsia, Assíria e Babilônia. Goza dela como a uma dádiva’."

"O anjo do Senhor encontrou Geraldo, o Médico, às portas do palácio, e disse: ‘Filho do homem, a tu, que vestes o manto de penas para reinar sobre os itaqueritas, participo-te em nome do Senhor: Cairá sobre os teus domínios uma praga nunca percebida desde o tempo dos faraós do Egito, e será essa praga a da seca’. Então respondeu o Médico: ‘Sou um rei penitente. Oro sobre a pedra. Amasso o barro. Mortifico a carne. E a justiça ao justo?’. O anjo retrucou: ‘Filho do homem, por agora, a paga dos teus será a água morta. Com essa água amarga derramarão os vasos e banhar-se-ão os teus’. Sete semanas se passaram, e a seca veio. Geraldo assim falou ao povo: ‘Os céus testam nosso reino e nossa casa milenar. Os açudes, eles mesmos, têm sede. Ipanemitas e tijuqueus viraram-nos as costas. As aldeias e as cidades sofrem, mas a culpa é de ninguém. Pela fé, extraí do fundo um maná em goles, uma água limpa, viva, digna dos príncipes da Pérsia, Assíria e Babilônia. Goza dela como a uma dádiva’."

"En aquellos días, Francisco de Boedo ya reinaba en Roma. En un sueño, se le apareció un ángel del Señor y el ángel no dijo nada: sólo caminó por las tierras de tropiqueos. Primero, el ángel recorrió una alfombra de tizones en llamas, mientras los demonios caían cerca de la montaña. Luego el ángel hizo dormir a hombres que se decían incapaces de morir. A última hora, el ángel se detuvo frente a la imagen de una cruz que flotaba en el cielo profundo. Entonces despertó el emperador. Francisco llamó a su ayudante, y dijo así: ‘Junta a los novicios, y convoca a una vigilia para que los hombres de mi raíz, los boeditas, vuelvan a su tierra no solamente grandes, pero al fin libres’."

"En aquellos días, Francisco de Boedo ya reinaba en Roma. En un sueño, se le apareció un ángel del Señor y el ángel no dijo nada: sólo caminó por las tierras de tropiqueos. Primero, el ángel recorrió una alfombra de tizones en llamas, mientras los demonios caían cerca de la montaña. Luego el ángel hizo dormir a hombres que se decían incapaces de morir. A última hora, el ángel se detuvo frente a la imagen de una cruz que flotaba en el cielo profundo. Entonces despertó el emperador. Francisco llamó a su ayudante, y dijo así: ‘Junta a los novicios, y convoca a una vigilia para que los hombres de mi raíz, los boeditas, vuelvan a su tierra no solamente grandes, pero al fin libres’."

"Os varões chegaram à campina, e montaram acampamento entre as colunas de fumaça, pois ali lhes parecia bom. O mais bravio entre eles proclamou: ‘A esta terra chamaremos S0d0ma, para que os filhos de Ló possam para cá regressar sem medo’. Àquela hora, por ali passava um barqueiro, de nome Paulo, sábio entre os silvinos. E perguntou Paulo: ‘Sabei vós que esta campina hoje tomada pelo sal e pelo enxofre foi um dia devastada pela ira do Altíssimo?’. O mesmo varão respondeu: ‘Nada temos com os antigos sodomitas e seus modos, isso te asseguro. Somos g0ys, os mais justos entre as nações’. Então seguiu rumo o barqueiro silvino, cantando no Jordão o hino de seus ancestrais: 
Como era grande a piroga deleDescendo o rio, correndo a Eilat.”

"Os varões chegaram à campina, e montaram acampamento entre as colunas de fumaça, pois ali lhes parecia bom. O mais bravio entre eles proclamou: ‘A esta terra chamaremos S0d0ma, para que os filhos de Ló possam para cá regressar sem medo’. Àquela hora, por ali passava um barqueiro, de nome Paulo, sábio entre os silvinos. E perguntou Paulo: ‘Sabei vós que esta campina hoje tomada pelo sal e pelo enxofre foi um dia devastada pela ira do Altíssimo?’. O mesmo varão respondeu: ‘Nada temos com os antigos sodomitas e seus modos, isso te asseguro. Somos g0ys, os mais justos entre as nações’. Então seguiu rumo o barqueiro silvino, cantando no Jordão o hino de seus ancestrais: 

Como era grande a piroga dele
Descendo o rio, correndo a Eilat.”